16.2.10

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as palavras foram comprar cigarro e nunca mais voltaram. como aqueles pais de família, que saem para ir à padaria e somem para sempre, as palavras também sumiram. aí, parece que eu tenho tanta coisa pra dizer, pra escrever, pra pensar, pra explicar, pra contar, pra repartir, pra jogar na cara, mas as palavras - AS BENDITAS PALAVRAS - foram dar uma voltinha, foram ver se eu estou na esquina. talvez compadeçam todas de um espírito proletário que as fizeram entrar em greve. um cala a boca educado, embora aflitivo. silêncio, então, é o que temos pra hoje. aproveito e não penso em nada - um luxo perto de tudo o que vem acontecendo. mas não é culpa minha. foram as palavras que sumiram. vai ver, foram tomar um ar, fugir desse blá blá blá. mas eu espero. eu sento aqui e espero.