31.5.17

you gave nothing now it's all i got

eu achava impossível uma pessoa viver sem você. eu sou péssima em deixar as pessoas. fui horrível quando precisei te deixar ir. fui egoísta. acho lindo relacionamentos que terminam naturalmente, mas eu não consigo. eu preciso de um fim. de um limite onde eu possa parar e me sentir segura. evitar surpresas e ansiedades. preciso ficar num lugar onde eu só possa sentir saudade. não pode haver silêncios. qualquer silêncio é um espaço vazio pra eu preencher com culpa. eu não podia ter silêncios. em cada um deles eu tentei um contato e em cada contato eu me perdi. o que eu fiz foi me defender de você. de você eu tinha medo e esse medo me fez insegura. tento ainda não pensar em você, tento ainda pensar só em mim, em nós não mais. você está bem? está feliz? seu trabalho é o mesmo? você ainda se agasalha mal? sua respiração continua ofegante enquanto dorme? às vezes acho que já perdi demais. às vezes, pessimista, acho que você era meu último suspiro e que vai demorar até eu subir e recuperar meu fôlego. tudo isso cansa, mas com você ainda parecia possível. com você fui paciente, mas me perdi. você nunca me cobrou nada e eu quis te dar algo que não precisava existir. o que tinha que ser já estava pronto e eu não soube cuidar. você nunca me pediu nada em troca e eu não consegui apenas deixar as coisas acontecerem. eu não precisava ser nada além de mim mesma e nem isso eu não consegui ser. as coisas mudaram. eu mudei. queria ter mudado antes de te conhecer, mas a vida prega essas peças na gente. acho que em outra hora seríamos mais. em outra hora não teria te feito mal. em outra hora talvez eu conseguisse enxergar que nem tudo tem uma explicação e que quase nada precisa de um nome. estava tudo fora do lugar, mas tudo estava pronto. minha porta continua aberta. eu só estava ali porque era você. eu queria muito que fosse você. desculpa por tudo. 

26.3.17

não vale a pena sofrer em vão

levantar todos os dias
e
tentar
tentar com a alma e a cabeça
sair de casa, andar, trabalhar, viver
tentar viver
dar um passo à frente
mas
reconhecer quando não dá
aquietar
admitir o limite
e
resguardar-se
parar
respirar
entender que isso não é andar pra trás nem
falhar nem
desistir
erguer a cabeça e continuar olhando pra frente
erguer a cabeça e deixar o passado pra trás
perdoar-se
ser paciente
e
sentir-se forte
parar, recuperar o fôlego
e
continuar
fazer da solidão companhia
e
botar os pés no chão
desocupar a cabeça
desabitar o coração
e
partir.
a partir de hoje,
viver.

24.3.17

so much energy to prove you i'm not who you hate for me to be

se eu tivesse sentado
respirado
pensado melhor
tomado dois goles de água muito devagar
pensado mais um pouco
e
respirado fundo
respondido firme
com um pouco menos de coração
e um pouco mais de resguardo
todas as vezes que (não) falamos do futuro
talvez
só talvez
você ainda estivesse aqui
e como eu queria que vc ainda estivesse aqui
então desculpa
você disse que não seria fácil
eu só queria que a gente fosse

4.3.17

você pediu e eu já vou daqui

quero aprender a não sentir saudade do que tivemos
(ou do que não tivemos)
preciso sempre respirar fundo
uma, duas, três vezes
sem você não me acalmo tão fácil
você que soube entender meus reflexos e entrou além do que qualquer outra pessoa
mesmo sabendo da minha falta de habilidade em dizer o que está aqui
porra!
você sabe demais de mim sem eu nem ter tido que falar
me leu como nem eu me atrevera
deitou no meu colo como se meu colo fosse seu território há anos
me beijou quando quem te beijava era eu
me fez tremer a qualquer hora do dia em qualquer lugar por qualquer palavra
você não foi quem você gostaria que eu fosse
você não foi distante
se você podia eu também deveria poder
mas você brigava comigo 
como se eu pudesse escolher entre um sim ou um não
do teu passado eu tentava não pensar porque passado todo mundo tem
(até eu)
e ele que fez quem fomos tantas vezes
você e eu
um pretérito imperfeito que deu voltas e te fez bater à minha porta
depois de meses te olhando, te guardando e te seguindo
pra hoje te guardar no que fomos de melhor: leves
risadas. lembra?
memórias tão leves que eu carregaria no colo, nos ombros, no bolso
como hoje te carrego na cabeça, no coração e você-sabe-onde-mais
aliás, acho que ando esbanjando demais suas lembranças, preciso racioná-las
porque tempos piores estão por vir
mas um dia de cada vez
respira
temo o dia em que só ficarão as lembranças do que nunca aconteceu
os espaços vazios que queria ter preenchido com suas risadas tão gostosas
todas as coisas que brincamos que íamos fazer
e que eu ria com um fundinho de verdade e um pé atrás
todas as coisas que ficaram pendentes porque as conversas seguiam outros rumo
essas coisas bobas que a gente não fala, não faz, e quando dá por si só tem palavras
que juntas talvez nem façam sentido
e por mais que eu escreva parece que tudo fica pela metade
porque a outra metade ficou pendente na memória
pra sempre
sim, as coisas acabam
toda uma energia que podia mover nosso mundo por mais voltas que ele desse
até talvez chegar no ponto em que nossos mundos se encontrassem sem barreira alguma
sem entraves
sem embargos
e eu pudesse finalmente te ter livre, independente, sem pesos ou contrapesos
e você pudesse finalmente entender que a vida anda pra frente
que é normal sentir saudade, tristeza, melancolia
mas que isso é a vida afinal
no final das contas
no começo de tanta coisa boa que pode ou não acontecer
mas que eu sempre pensei que sim
porque o potencial de cada coisa era enorme
o sexo já foi bom desde a primeira vez
e seu gemido puxado na memória ainda gelava cada canto do corpo
e sua presença preenchia toda a cama
e sua risada o espaço ainda vazio do meu peito
tanta coisa, tantos poréns, tantos nãos, tantos minutos esperando uma resposta
tanto tudo
tanta coisa pela metade
outras ainda no começo
tudo junto assim
pra um dia quem saber fazer sentido e a gente finalmente entender
que algo bom passou
ou que deixamos passar
não sei

30.1.17

(this girl is only gonna break your heart)

dela eu já levei todos os "não" possíveis. uma vez ela me disse que não podia me ver porque ela tinha que lavar o cabelo. eu ria. não tinha nada a perder. não devia nada a ninguém. o "não" eu já tinha. dezenas deles. mas não doía. ler uma mensagem não dói. e meu deus, como eu esperei por cada uma delas. mas enfim. não doía. até que um dia passou a doer. não assim de repente, mas quase. quando você descobre como é o toque, o olhar, o gemido, o perfume, as coisas começam a doer um pouco. ou pelo menos um pouquinho. cada "não" vem carregado de tudo isso junto. esse é um dos pedaços mais difíceis porque você está acostumado e de repente não está mais. seu modus operandi muda e você só percebe quando vê uma mensagem que não é pra você. porra como assim? as coisas começam a fazer outros sentidos. só sei que em um certo ponto ela passou a ser meu ponto de referência. o norte, que eu nunca sei pra que lado fica, mas que em muitos dias era onde ela estava. quem me deixava tranquila porque sim. mentira. foi assim desde bem antes. ela me leu e se antecipou a alguns movimentos meus. não sei como. ela que explique. porque o óbvio, à época, seria eu ter me afastado de tudo. mas com ela meu corpo inteiro quis que eu ficasse. é difícil explicar e é quase impossível fazê-la entender que dela eu não espero muito mais que isso. porque claro que "isso" nunca é só isso. assim, isso de "pouca coisa". ela também não. sobre ela vou nem dizer mais que isso. surpreendente e com essa coisa que eu não sei o nome, mas que me deixa bem e que me faz querê-la. parece que é muita coisa, mas nem é. é o suficiente. é difícil, mas dá pra dar conta. só não posso. já aconteceram coisas boas, ruins, desgastantes, tranquilas. já teve de tudo. por mim teria um pouquinho mais. assim, só um pouquinho pra ver onde dava. o que seria. não sei de muita coisa, mas não me arrependo de nada. faria tudo de novo. uma vez, pelo menos. ou duas. por ela acho que valeria. 


21.1.17

another you so i could love you more

relembrar cada movimento
e reinventar
até surgirem novos abraços
beijos
sorrisos
mais de você deitando no meu colo
no meu dia
na minha cama
porque as memórias não são mais suficientes
perto de tanta saudade
perto do tanto que não foi
longe de tudo o que deveria ter sido

25.8.16

se seu corpo fosse um mapa
eu - sul - sairia dos teus pés
e subiria à sua cabeça
com calma, sem pressa

se seu corpo fosse um mapa
eu pararia no meio do caminho
pra perder meu fôlego
e descarregar minha energia

se seu corpo fosse um mapa
eu o percorreria pelo caminho mais longo
iria às suas ruas sem saída
e atravessaria suas avenidas mais luminosas
até te conhecer em cada limite
e te tocar em cada margem

se seu corpo fosse um mapa
mesmo com o risco de você mudar suas linhas e seus contornos
eu esperaria a maré baixar, a tempestade passar, as ondas se desfazerem
pra te tocar e te atravessar
com calma na sua não calmaria
porque não tenho pressa

se seu corpo fosse um mapa
minha expedição seria despretensiosa
não ousaria sequer conhecer novas terras
eu sairia do meu sul e o atravessaria dos pés à cabeça
pra te conhecer e chegar até você
- tão norte -
se seu corpo fosse um mapa
se eu pudesse chegar até você

15.8.16

do querer que há, e do que não há em mim

você sabe pouco de mim
porque é o que sou no momento: pouco
estou começando do zero
mas venho de guerras que me envelheceram e me deixaram menor
então desculpa a insegurança, as palavras mal encaixadas, a ansiedade do que não tem pressa pra ser dito
desculpa não entender, desculpa a falta de traquejo e
desculpa querer te ouvir a qualquer momento
a toda hora
na hora que quero
quando não sei nem se posso querer
ou te querer

14.8.16

silêncio

sempre fomos de falar tão pouco
que seu silêncio nos meus sonhos não me intriga
não é muito diferente de quando você ainda estava aqui
e a gente falava tão pouco
mas o suficiente
quem fala muito não entende que não precisa de muito pra se falar
mas a gente entendia que falar pouco era o suficiente pra gente
talvez fosse alguma coisa de dna, de células, da biologia que a gente não entendia porque a gente era dos números
dos olhares
e do silêncio
você me fez assim ou me fiz assim por causa de você
então entendo os seus silêncios nos meus sonhos
mas não entendo o seu olhar
eu não te decifro
eu preciso saber se você pede minha ajuda
ou se você está vindo me ajudar
eu preciso que você me olhe com calma porque eu preciso entender
eu preciso de ajuda
eu preciso de companhia
e eu preciso saber se você precisa de mim
então me dê um sinal, uma sílaba
sempre fomos de falar pouco
por isso não me intriga o silêncio
nós gostamos do silêncio
nós fomos feitos do silêncio
mas essa noite eu preciso de mais
só um pouquinho
só por hoje
por favor

10.7.16

deus lhe pague

por ter me esfolado a pele e me feito enxergar que a segunda camada de mim é mais espessa;
por ter esmagado, com as próprias mãos, tudo o que eu tinha no peito e aberto espaço pra um novo e legítimo primeiro amor;
por ter devastado o que eu era e assim ter me permitido me refazer maior, melhor, sem você;

obrigada

5.7.16

não serei o seu amor

não serei seu amor nem por 5 minutos
não serei seu amor nem nos segundos em que você prende a respiração enquanto eu digo que não serei o seu amor
não serei o seu amor nem aqui, nem na china e nem nessa curta distância entre nossos corpos
não serei seu amor enquanto você vibra com minhas mãos e muito menos quando você tropeça nos meus pés por não entender que, eu não sendo o seu amor, nossos caminhos são opostos
não serei seu amor quando nadarmos pra morrer na praia e não darei chance pra que algo nos mate e não nos fortaleça
não serei seu amor nas noites frias, nas madrugadas quentes e nem mas manhãs molhadas
não serei o seu amor no feriado ensolarado, na segunda-feira chuvosa ou no domingo preguiçoso
não serei seu amor na saúde e nem se você adoecer porque não serei o seu amor
não serei o seu amor mesmo que nossos signos combinem e nem que você queira combinar que nós, você e eu, não combinamos, porque ainda assim continuarei não sendo o seu amor
não serei seu amor nem que você se jogue, me sacuda, nos vire pelo avesso
não serei o seu amor nem que você me peça e nem que um dia eu queira
não serei o seu amor mesmo que você não entenda e mesmo que um dia eu te estenda a mão
não serei o seu amor e não me arrependerei, portanto não duvide quando digo que
não serei o seu amor
nem que o mundo caia
nem que você me abra
nem que eu um dia hesite em dizer que não, eu não serei o seu amor

1.4.16

foi. o amor se foi perdido.

desabito-a
mesmo sendo ela
o continente que eu descobri
o idioma que eu criei
o legado pelo qual lutei
e perdi

23.3.16

that's how i lost touch of who i am and who i was

escuta
você pode juntar os cacos
varrer o pó
tentar estancar o sangramento
mas nada disso funcionará

então
não se acomode esperando que o tempo cure
não perca seu tempo esperando que a dor vá embora
não se iluda achando que você sairá mais forte
se o que não mata fortalece, a perda te quebra e te diminui

entenda, enfim
que você nunca voltará a ser como antes
e que é pra sempre
esse buraco, esse espaço no peito
essa ausência que rouba seu ar e esconde seu rumo

e onde
talvez
caiba uma ou duas lembranças
o presente que não teve a chance de ser entregue
o "sim" que vai ficar pra sempre entalado na garganta

mas onde
certamente
não caberá, nunca, tudo aquilo que não foi
tudo aquilo que você queria tanto que tivesse sido
tudo aquilo que você sonha que estivesse sendo

7.3.16

a saudade

a saudade que eu sinto não diminui com remédio
não passa com o tempo
não morre com o álcool

a saudade que eu sinto não pode ser ignorada
porque, se ignorada, ela só aumenta
se ignorada, ela se esgueira por cada canto da memória
e resgata, sem avisar, o perfume, o toque, a palavra

a saudade que eu sinto não vai embora
nem que eu chore
nem que eu implore
nem que eu tente substituir memórias

a saudade que eu sinto não diminui
não passa
não morre
mas decidi que dela eu não morro

30.11.15

a presença

depois de eu ter guardado tudo o que era dela, ela continuava aqui. tinha o perfume no lado esquerdo do sofá e tinha o shampoo no travesseiro. tinha a risada ecoando em frente à tv e tinha a voz em cada cômodo da casa. tudo - móveis, cantos, chão - ganhou um espaço vazio que eu tive que preencher. comecei a dormir no meio da cama, a deitar no sofá inteiro, arrumei estante e pia do banheiro pra cobrir os buracos que a ausência das coisas delas havia deixado. precisei tomar posse do que era meu e preencher com coisas minhas os espaços que eram dela. porque as coisas dela tinham ido embora, mas ela continuava aqui.

23.11.15

os objetos

dois dias depois de ela ter ido embora, juntei todas as suas coisas. roupas, cremes, escova de dente. tudo o que era dela ou que me lembrasse ela. revirei gavetas, o guarda-roupa e a memória pra que não restasse nada. as canecas, um presente e uma carta escrita um dia antes de ela ir embora foram junto. quando terminei, era como se a casa estivesse vazia. não tinha a bagunça no tapete, a camiseta no sofá e nem os cotonetes sujos de maquiagem na pia do banheiro. tirei tudo o que era dela da nossa casa e minha casa deixou de ser um lar.

21.11.15

memory comes when memory's old

era só uma conversa. fiz do jeito errado porque é como eu tenho feito as coisas: do jeito errado. tropeço nos meus próprios pés e continuo andando como se nada tivesse acontecido, como se ninguém tivesse visto, como se aqui dentro eu não soubesse que tenho feito do jeito errado.

mas tenho tentado. 

era só uma conversa e pode ser que amanhã eu precise mais do que preciso hoje e me arrependa por ter gastado da forma errada a minha única chance. mas hoje foi só assim que eu pude fazer. 

era só uma conversa. 

desculpe por precisar tanto dela.